2010: O ANO EM QUE FAREMOS MASHUPS
João Brasil, André Paste e o mashup nacional são as grandes estrelas deste sábado da capa do caderno B da Gazeta de Alagoas, em reportagem (pra mim, surpresa) do coleguinha Ramiro Ribeiro que fala sobre o encontro da mistura de músicas com o humor e a identidade nacional.
E não é que em um box com os nomes de destaque na cena brazuca do mashup, entre feras e meus ídalos, como Lucio K, Faroff, Sany Pitbull, Lucas Santtana e os meninos da Dancing Cheetah, encontraram um espacinho para colocar a AGEMDA como o blog que divulga a turma? Tô me sentindo a Thereza Collor dos mashups!
A matéria ainda fala da vinda da Bootie pro Rio. Colei um print da página inteira e todo o conteúdo no continue reading.
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RAMIRO RIBEIRO
Repórter
Numa pista de dança tudo pode acontecer. Paixões acabam, novas histórias começam, e a música adquire papel especial nessa equação. Nesse sentido, a década que passou assistiu à difusão de uma vertente da chamada “música para pista” responsável por promover momentos de verdadeira comoção por onde é executada, arrebatando adeptos fiéis: o mashup.
Trata-se da arte de colar diferentes sons – unindo músicas, artistas e estilos que à primeira vista soariam díspares – que resulta em criações completamente novas e surpreendentes. Uma derivação do remix, que propõe uma releitura de uma música com uma base rítmica diferente.
O mashup prega a união inesperada, a junção de estilos improváveis. É a anarquia sonora, sem preconceitos, em nome da diversão. Tudo feito para a pista. Ligado aos primórdios do rap, o estilo que engatinhava nas décadas de 70 e 80 se popularizou no fim dos anos 90, com o surgimento do mp3 e de ferramentas caseiras de edição de som.
A internet oferece todos os instrumentos para quem quiser se aventurar nesse universo: programas de edição de som como Audacity, Ableton Live, Reason e
muitos outros. Para se tornar um mashupeiro, basta ter criatividade e não ter medo de errar.
É a receita de João Brasil, carioca que é hoje um dos principais nomes do movimento no mundo. Ele conversou conosco direto de Londres – de lá, conta
mais sobre suas intenções com o gênero. Conversamos também
com André Paste, prodígio de 18 anos que coloca todo mundo para dançar com produções que unem hits do pop internacional com o funk carioca. Além disso,
preparamos uma série de dicas e links para você se inteirar desse universo dançante. Mãos à obra.
ENTREVISTAS
João Brasil
Cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista, viciado em comunicação e cultura pop. Assim se define o carioca João Brasil, para muitos o “gênio do
mashup brasileiro”. Formado em Publicidade, estudou produção de música eletrônica no renomado Berklee Music College, em Boston, Estados Unidos. No momento, cursa mestrado em Design para Mídias Interativas em Londres.
Seu primeiro álbum, 8 Hits (2008), surgiu aos poucos na internet e continha o sucesso instantâneo Baranga, que o levou a se apresentar no Domingão do Faustão. No mesmo ano, lançou virtualmente o álbum Big Forbidden Dance, com mashups de incríveis 130 músicas em nove faixas. Este ano, deu início a seu projeto mais ambicioso: o blog 365mashups.wordpress.com, onde o objetivo é dis-
ponibilizar uma nova “mistura” a cada dia, até o fim do ano. Confira o papo com o “mito”.
Gazeta – Numa rápida pes-quisa com o seu nome na internet encontramos elogios co-
mo “mito”, “gênio da raça”, “expoente máximo do mashup brasileiro”. Afinal, quem é
João Brasil? Ele quer dominar o mundo?
João Brasil – Hahaha! Sou apenas um artista/produtor musical que usa a colagem sonora/visual como forma de expressão. O computador é meu instrumento
musical. Estou morando na Europa agora, vou tentar dominar o mundo por aqui.
Como aconteceu o turning point entre seu álbum de estreia, 8 Hits (que traz as péro-
las Baranga, Mamãe Virei Capitalista e Cobrinha Fanfarrona) e o ingresso no incrível mundo das colagens sonoras? Planeja outro disco de canções?
Assim que terminei de fazer o disco e montar a banda, só me chamavam para tocar como DJ, nunca entendi bem isso. Comecei a fazer a festa Calzone, toquei muito como DJ. Aí pensei: se vou ser DJ, vou fazer minhas próprias musicas. Fiz o Big Forbidden Dance. Até pensei em fazer um disco com canções, mas acabei resolvendo fazer um
mashup por dia. Sou assim. Um dia, um novo disco de canções virá. Tenho certeza disso.
Numa entrevista recente você afirmou que seguia a mistura “hype X povão X cabeça X cafona”. Qual a receita para um mashup ideal?
Juntar mundos que não se falam, fazer as pessoas dançarem com seus maiores preconceitos. Conectar o Brasil com o mundo.
Você trabalha a favor da valorização do hype nacional?
Trabalho a favor da criatividade livre de todos para todos. Trabalho para um mundo com menos preconceitos e mais diversão. O mashup musical é uma faceta de um modo de produçã que pode ser visto em outras mídias e formatos.
Você está cursando mestrado em interactive media em Londres. Seu trabalho tende também para a interação de áudio e vídeo?
Certamente. Já estou pensando em como juntar essa ideia dos 365 mashups em um ambiente multimídia. Adoro misturar vídeos com músicas: o poder de comunicação se multiplica.
A cena brasileira alcança boa receptividade fora do País. Além de você, gente como Fa-
roff, Sany Pitbull e Lúcio K aparecem com destaque. No Brasil, há a revelação André Paste. O destino do mashup é as massas?
Espero que sim! Estou trabalhando para isso.
ONDE ENCONTRÁ-LO
›› myspace.com/joaobrasil
›› fmjoaobrasil.blogspot.com
›› 365mashups.wordpress.com
André Paste
Revelação juvenil de Vitória, Espírito Santo, e batizado de “o Mallu Magalhães do mashup” – pelos seus 18 anos recém-completados – e também de “Joãozinho Brasil” – pela influência declarada, André Paste fez sucesso no site de vídeos YouTube com
uma montagem que unia Exaltasamba com a caloura inglesa Susan Boyle, que recebeu o singelo nome de Susan Boyle Boyle. Para ele, AC/DC e tecnobrega podem conviver em harmonia numa mesma canção.
Gazeta – Quando e qual foi o primeiro mashup que você produziu? O que te seduziu nessa possibilidade artística?
André Paste – O primeiro mashup que produzi foi o Copy&PASTE no Tamborzão, com
samples de 30 músicas em sete minutos, no finalzinho de 2008. Como eu nunca soube tocar nenhum instrumento e sempre quis fazer música, parti para o computador e escolhi o mashup para poder usar todas as minhas influências.
Pode-se apontar a existência de um movimento ou cena do mashup no Brasil, com nomes, festas, características (e sonoridades) particulares?
Tem uma galera produzindo mashup no Brasil todo. Eu consigo manter contato com alguns pela internet.
Na sua opinião, esse é o grande barato do mashup – ou seja, a oportunidade de unir Bonde do Tigrão e Rihanna, Exalta-samba e Susan Boyle na mesma faixa?
Sim! O mais legal do mashup é poder misturar as músicas mais variadas, inusitadas e surpreendentes.
Você é fã declarado do João Brasil, que também admira seu trabalho. Como foi conhecê-lo? Tocaram juntos?
Quando fui tocar no Rio, no ano passado, encontrei com o João… Foi muito legal. Ele é muito gente boa! Ainda não tocamos juntos, mas esse é um sonho que eu tenho.
Qual a última ‘colagem sonora’ que você fez? E a próxima?
A ultima foi Tira a Camisa and Clap Your Hands, que une funk carioca com disco music, e a próxima… espere e verás (risos). Depois do forró e do sertanejo uni-
versitário, esse ano vou criar o mashup universitário. Mais uma vez, aguarde e verás.
ONDE ENCONTRÁ-LO
›› myspace.com/andrepaste
VÍTIMAS DO MASHUP
De repente, seu disco preferido de todos os tempos sofreu uma mutação genética. Confira na nossa lista
The Grey Album – Criado pelo DJ Danger Mouse (do duo Gnarls Barkley), mixa os vocais do Black Album do rapper Jay Z com os arranjos do White Album dos Beatles.
American Edit – Cria de uma dupla de mashupeiros que atende pela alcunha de Dean Grey, une a cartilha do rock mundial ao American Idiot, do Green Day.
Revolved – Mais Beatles. Dessa vez, em duetos com quem você possa imaginar. Disponível para download gratuito no revolved.blogspot.com.
London Booted – O mesmo princípio, aplicado ao clássico inconteste do Clash, que completa 30 anos este mês.
The Beastles – Os Beatles, sempre eles, embarcam no rap dos Beastie Boys. Mais
sobre no djbc.net/beastles.
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DELICIA!!!
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André é o muso do verão de Vix!
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Fabiano!
Muito obrigado, valeu mesmo. E se não o citasse não seria uma cobertura completa da tal ‘cena’ [não que esteja agora, mas se faltasse o agemda seria um erro considerável]
Abraço!