Fashion Rio Inverno 2010 - Dia 06

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Nica Kessler, Patachou e Andrea Marques

Ufa! Depois de dias de calor intenso e coleções sem muitas novidades o últmo dia não se distancia de seus antecessores. O dia foi de alguns estreantes como Nica Kessler que abriu com moda exagerada e coma feminilidade como ponto de partida. O que aconteceu foi profusão de babados e elementos do universo feminino como transparências e detalhes que acabaram por poluir algumas produções. Dá melhor série estao vestidos mais limpos e inspirados no universo masculino e nas peças lisas sem as estampas exageradas. Para coleções futuras uma boa limpeza na imagem final se faz necessária.

Já a mineira Patachou agrada com coleção olhando para raios e trovões onde as armaduras encontram conforto em looks com malhas de metal e volumes mais soltos. Mas esses não são os momentos de melhor performance assim como os tricôs já não fazem parte da matéria-prima principal da marca. A Patachou mostra habilidade ao trabalhar malhas e tecidos planos de forma mais sexy com comprimentos mini e shape justos ou investindo numa estética scifi onde acontecem algo como guelras em vestidos mais estruturados. Textura como pêlos  acontecem em casacos e boleros assim como nas peças em veludo molhado. vale os ombros marcados da marca. O tricô quando acontece fica em segundo plano com as outras opções mais interessantes propostas pela equipe da marca.

Andrea Marques volta a desfilar depois de sua saída como estilista da Maria Bonita Extra em marca homônima. A coleção apresenta todos os elementos vistos até agora nessa temporada mas a designer se diferencia por mostrar as coisas de forma mais pessoal, diluindo tendências para o seu próprio universo. Assim mangas presunto dão projeção delicada e feminina aos ombros e os vestidos que a estilista tanto gosta acontecem em modelagens e tecidos mil. O brilho vem dos acetinados e as transparências usadas serviram para reafirmar a poética dos looks. As estampas são inspiradas no trabalho da artista plástica Malu saddi e na medida exata acabam por não interferir/ poluir a coleção. A peça com bordados de mini pérolas é tão romântica que pode fácil resumir toda a coleção. A alfaiataria bem feita da estilista mostra sua face nessa temporadas assim como referências militares que são mais suavizadas.

A New Order, marca de acessórios, foi o penúltimo desfile dessa temporada e numa sala abarrotada a atenção foi para os looks ( que não serão produzidos ) com peças em tricô e pegada mais street. Algumas boas idéias acontecem nas mochilas e tênis com vazados redondos, nos acessórios metalizados, nas bolsas que ganham franjas e pêlos e nas tachas que aparecem aqui e ali. E tudo pe uma repetição entre bolsas, mochilas, sapatos e tênis. Não creio ter sido necessário armar todo o fervo que rolou para uma coleção que não foge muito dos básicos. O arco com orelhinhas de cachorro são muito fofos. Ponto para o styling!

New Order e Alessa

Alessa Miganni fecha o Fashion Rio falando de instrumentos musicais. Sem muitas novidades a estilista se vale de fotos e elementos do universo musical para estampar vestidos acetinados. O melhor momento acontece nas franjas de placas plásticas que fazem as vezes de teclas de piano e no tricô com aspecto destroyed usado com jaquetinha ou colete. Os pingentes de notas musicais e discos de vinil antigos também ganham pontos positivos para a apresentação da Alessa.

Por André Chaves

Fashion Rio Inverno 2010 - Dia 05

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Redley

O penúltimo dia de evento abiu com a ótima apresentação da Redley e sua moda esportiva focada no universo dos ciclistas. A coleção vem cheia de recortes em preto e branco e pontuada por rosa em alguns momentos. O melhor fica com a habilidade do estilo da marca em trabalhar tecidos tecnológicos com maestria em vestidos, camisas, calças e bermudas. Aliás a tecnologia divide espaço com o algodão em camisas listradas ora de um tecido, ora de outro. O neoprene também acontece na Redley e vira casacos espertos nas mãos da equipe da marca. Bolsos e zíperes em dourado enfeitas e recortam pelças mais rígidas. A Redley teve uma boa saída ao fazer o cachecol-luva em tricô e couro, já nasce hit de inverno para os mais modernos.

O segundo desfile do dia foi o da R.Groove, única remanescente do extinto Rio Moda Hype. Entre confusões de construções de imagens a marca tem no surfwear o seu forte nessa temporada trabalhando com desconstruções do long john, traje do esporte, que vira camisa e acontece em seu inteiro em versão rosa + preto. A alfaitaraia continua sem novidades, acontece em shape largo, mais desconstruído, em versão jeans com trabalho de patchwork de tingimentos do tecido que vão do claro ao escuro e nada que o estilista já não tenha feito antes. Vale a sacada de usar tecidos e materiais com aspecto molhado que enriqueceu demais a coleção. O tricô vem em nós e as melhores peças são os casacos que ganham até lapela. O desfile é toda uma mudança de uma marca pequena tentando ainda se alinhar ao porte de ganhar um desfile no line-up oficial de um evento como o Fashion Rio e Rique Gonçalves, dono e designer da R.Groove, não se mostra intimidado com esse gigante e se propôem mudanças que são sentidas ainda que não consiga sair da sua zona de conforto. Mas isso, espero eu, é só o começo.

R.Groove, Têca e Espaço Fashion

Já Helô Rocha anda por novos caminhos na Têca em coleção que celébra o filme cult dos anos 80 “The Hunger”. As “vampiras” da marca abusam de preto, verde e azul em comprimento mini e shape justo. Com bom trabalho em bordado que acontece em barras e decotes de vestidos e blusas além de acontecerem em tricôs feitos por Lucas Nascimento em parceria com a marca, a estilista consegue limpar o ranço caipira que perfumava suas coleções. As boas idéias acontecem no vestido de lã fria com a frente em tricô, nos caacos de abotoamento duplo e nas mangas mais quadradas e rígidas.

Quem fechou o quinto dia foi a Espaço Fashion olhando para o céu com estrelas na temática e na passarela da marca ( Carol Trentini, exclusiva da Marca, Juliana Imai, Ana Beatriz Barros ). Mas até as estrelas o caminho é arrastado e o desfile é lento de muitos looks que acabam escorregado pelo excesso. São ótimos os looks do primeiro bloco em cores mais escutas com bordados de pedraria, redes, pontos luminonos de brilhos, neoprene usados de forma futuro com torções absurdas, trabalho em jeans com tiras do tecidos alternando lavagens e o trabalho de estrutura das roupas com ombros acentuados. Depois começa a vir a parte mais avermelhada da coleção com trabalho em textura como nervurado e degradês de cores quentes que agradam menos até os vestidos de tafetá que passariam batido. A estampa do eclipse poderia ter sido mais utilizada, ficou uma graça.

Por André Chaves

Fashion Rio Inverno 2010 - Dia 04

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Acquastudio, Cláudia Simões e Maria Bonita Extra

O quarto dia abriu com a apresentação da Acquastudio celebrando o trabalho do vidreiro e hoalheiro francês Rene Lalique mas perde mão ao não inovar  e a coleção passa com vestidos rígidos e difícieis de serem usados numa festa, por exemplo. Excessos á parte, a Acquastudio se dá bem nas formas de enfeites das roupas desfiladas com trançados de tecidos e o uso de cristais. O que emperra a marca é o não florecimento de idéias para o segmento que se pretende fazer em peças diurnas.

Já Cláudia Simões se inspira no esporte em coleção que preza por peças mais secas e com referência direto do activewear, um bom exemplo é o uso do neoprene em calças sequinhas e saias com o volume rígido do próprio tecido. Com série de estampas coloridas e recortes a marca quebra a rigidez de algumas peças de alfaiataria com camisetas mais justas usadas com calças coladas, fazendo assim uma silhueta slim com ênfase nos paletós que apesar de mais sequinhos ainda assim são pontos de volume da coleção. Para a noite o brilho é discreto tanto nos recortes bordadod de algumas peças como no próprio tecido usado nas mesmas. Padronagens de inverno como o pied de poule e o xadrez se misturam em crash bacana de estampas e as bermudinhas bikers sinalizam as novas leggings para o inverno.

A Maria Bonita Extra pega carona no mundo de Jack Kerouac e seu livro “On the road” com show ao vivo da banda Glass’n'Glue numa coleção que tinha tudo para ser libertária mas morre com o enfraquecimento de idéias. Os vestidos segue quase o mesmo conceito de comprimento curtinho e a coleção tem o mesmo desdobramento onde a equação camisa social justinha + jaquetinha + saia godê curta se repete contunuamente. Boas idéias acontecem no vestido em camadas de cintura marcada e nas boas peças para a noite com profusão de organza.

Juliana jabou e dois looks da TNG

O desfile de Juliana Jabour mostrou evoluções da estilista em tecidos planos com construções mais elaboradas deiando a malharia, forte da estilista, em segundo plano. Juliana assumiu a identidade militar nesse inverno investindo em ótimos casacos do estilo numa coleção em cores sóbrias salvos pelos pontos de cores nas ótimas meias em látex. Mas há espaços para a fofura que sempre acontece nos desfiles da marca como nos laços e nas peças em tecido acetinado. Os ombros ganham destaques com mangas elaboradas e com volumes tanto nos casacos quanto na camisaria e o tricô ganha em sua trama fio lurex e e bordado brilhante. Os exercícios da estilista com volumes e formas em tricoline vieram mais contido e em menor quantidade nessa edição sando espaço para a realização de peças mais interessantes que ainda continham recortes, camadas de tecidos sobrepostas e patch de tecido paetizado.

Fechando o dia está a TNG com moda inspiradas nos trajes de caçadores do Canadá e Alaska e nova direção criativa que ficou com Maurício Ianês. A pegada street vem mais forte nessa coleção porém a TNG ainda não consegue aliar numa mesma síntese o desejo de moda e o desejo do consumo. Aliás, ouso dizer que a marca domina o desejo de consumo e nega o desejo de moda. As roupas gritam “comercial” mesmo quando se propoêm serem mais conceitual de moda como as bermudas, calças mais soltas, vestidos de cetim e casacos com aplicação ou não de pele fake. A parte bacana é a tentiva de mistura de texturas com as camisas em xadrez e recortes em couro, o comprimento maior da camisaria masculina ( o que acho difícil a produção para o comercial ) e o jeans que vem estampado com folhas secas e ganhou cara nova.

Por André Chaves

Fashion Rio Inverno 2010 - Dia 03

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Mara mac e Filhas de Gaia

O terceiro dia de desfiles abriu com apresentação da Mara Mac em coleção esportiva que dialoga a relação do homem com a natureza, mais precisamente o problema do derretimento das calotas polares. A coleção parte de um sentido náutico desconstruindo o colete salva-vidas e abusando de casacos com capuz e parkas. As peças de golas mais rígidas são bacanérrima e é uma pena nao terem sido mais exploradas. Há também versões de casacos em tecidos tecnológicos de aspecto empapelado. Mosquetões e listras no melhor estilo navy acontecem abrindo caminhos para mares bravos que tem na modelagem mas solta o seu grande fundamento. Laranja, verde e azul pontuam a coleção neutra da marca.

Em seguida foi a  vez da apresentação das Filhas de Gaia e sua moda festa que dessa vez deu uma escorregada chata ao recriar os vestidos estruturados já vistos em apresentação da grife francesa Balenciaga de estilo armadura e print floral. Os melhores momentos acontecem quando as meninas trabalham sobre essa base com flashes de lingerie e peças com uma só manga. Há também um início de despojamento na festa de Renata Salles e Marcela Calmon em look com calça + camiseta + jaquetinha curta. A camurça acontece em peças como calças e nos vestidos mais estruturados que já começam a virar clichê na apresentação da Filhas de Gaia.

Já Graça Ottoni se desprende do mulherão desfilado no verão e investe em um novo romantismo com vestidos de caráter lingerie e barra rendada usados com boas sobreposições de paletós mais sequinhos. Da série volumes destacam-se os casacos assimétricos e saias em matelassê no início da apresentação. A estilista também aproveita e explora inúmeras possibilidades de construção com materiais diversos como o couro que acontece em perfectos espertas e tecidos mais fluidos como no máxi-cardigã. Artesanalmente falando, as tirinhas de organza recortada viram saia e vestido. No final uma série de peças mais soltas e de inspiração hippie não emplacaram.

Graça Ottoni e Coven

O último desfile do dia ficou com a ótima apresentação da Coven e seu tricô de tirar o fòlego. Guerra e circo se misturam a partir de gravuras do pintor Goya e o camuflado vem forte em jaquetões e vestido onde as tramas de algodão dividem a cena com o lurex. É interessante o trabalho de peças que se acabam em franjas ou em gomos de tecidos conseguindo volume. A Coven investe na modelagem diferenciada de saias e vestidos em forma de faixas de tecido, além de mostrar em sua parte mais circense da apresentação vestidos com saia godê e mescla de cores fortes como amarelo, azul e vermelho.

Por André Chaves

Fashion Rio Inverno 2010 - Dia 02

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Walter Rodrigues e Cantão

Hoje o dia começou com o desfile de Walter Rodrigues que retoma suas origens em formas japonesas como quimonos e elementos da indumentária oriental. Walter, diz, quer retomar peças clássicas que gosta em novos exercícios de construção. E deu certo! A coleção é confortável para essa andarilha na qual o estilista pensou. Há também influência forte do trabalho de Vionnet que fica evidente no corte enviesado das peças e nos drapeados. No momento mais forte da coleção acontecem casacos e calças inspirados em trajes do exército japonês, com muitos bolsos e shape rígido. O que mais agradou foi a sequência final de quimonos recortados e dos longos em malha.

Em seguida foi a vez da Cantão se despedindo de Yamê Reis que deixa o cargo de diretora de estilo. Para comemorar a até então estilista não mediu esforços se inspirando nos detalhes da arquitetura e cores do Oriente aliado a shapes e construções do Ocidente. Das melhores idéias surgem as mangas de caráter militar que ganham destaque com aplicação e bordados e correntes. Aliás a estética handmade é uma das mais fortes da coleção com patchwork de tricô, bordados e aplicações de correntes que permeiam as peças mais interessantes e bem trabalhadas da marca que, até a última edição tinha dado uma esfriada. O jeans acontece com novidades e passam por um processo que deixa blocos geométricos mais escuros em sua trama numa espécie de patchwok do tecido entre claro e escuro (há também arabescos orientais nesse mesmo processo de tingimento). Foi uma ótima despedida de Yamê Reis numa coleção bem pra cima e a cara da Cantão.

Lucas Nascimento fez sua estréia em terras cariocas trazendo seu tricô em construções que, na verdade, não chamaram muito a atenção e fazem referência direta à Prada em coleção passada. Vale a ótima técnica apurada em retilínea do estilista e os looks do início com bodies e longos com textura nervurada. No bloco do desfile que se desenvolvem peças em mohair e tricô prensado paira um ar deja vu. Para coleções futuras uma melhor pesquisa e formação de novas idéias se faz necessário.

Lucas Nascimento e Printing

O dia termina com a ótima apresentação da Printing com seu luxo baseado no brilho que acontece em 90% da coleção de forma sutil ou não. Valem os tecidos com aspecto antigo de brilho empoeirado e o ar glam rock da coleção com jaquetinhas espertas, calças longilíneas e as boas incrustações de bordados em cristais. As estampas se inspiram no cristal Lalique e os comprimentos são mais curtos em saias e justos nas peças. É maravilhoso o trabalho em bordado da última peça com profusão de elementos que confirma a printing como uma marca de luxo realmente.

Por André Chaves

Fotos: Agência Fotosite

Fashion Rio Inverno 2010

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Auslander

A Auslander foi a primeira marca a desfilar e a abrir os caminhos para o inverno 2010.  Inspirada pelo movimento punk rock a Auslander usa e abusa de tachas e spikes, couro e muito preto. Há também uma referência, segundo o release, ao trabalho do fotógrafo Helmut Newton porém essa não foi muito sentida e vale para justificar o comprimento curto e as formas justas de vestidos e leggings. O masculino tem todo um tratamento de styling mais apurado que brinca com sobreposições e misturas deixando os vestidinhos em patch de veludo e com recortes para trás. A proposta para o jeanswear é uma velha conhecida ora ele vem em preto todo retalhado, ora ele aparece com lavagem marmorizada em cinza e preto. Mas o ponto alto do desfile fica com as peças em tricô destroyed que são usadas sozinhas ou sobrepondo-se a uma camisa de malha, por exemplo.

Já Melk Z Da toma rumos diferentes e trabalha a carpintaria em sua coleção de inverno. Os tons de madeira são quebrados em poucos e bons momentos com surtos de azul claro e laranjão. É interessantíssimo acompanhar o trabalho de hand made do atelier do estilista onde ele procura levar todos os elementos da técnica para sua coleção. É aí que pedaços de madeira viram paetês bordados e vestidos estruturados ganham aspecto de marchetaria. Falando em estruturados, os do início da apresentação em tela são os mais bacanas. Vale também o trabalho de amarração de fios de linha grossa que acaba por criar novos tecidos e possibilidades.

Melk Z Da, Giulia Borges e Victor Dzenk

Giulia Borges deu um giro de 180 graus na sua coleção de inverno que se baseia no trabalho do artista canadense Kristian Adam e fez um desfile bem mais maduro e cheio de novas possibilidades. O foco são os ombros que ganham volume com babadinhos ou estrutura de ombreira. O release explica uma coleção que flerta com a infantilidade, mas não foi só o que se viu. É bacaninha a idéia de mangas longas que surgem do nada e se abraçam em peças como saias e casacos e que em muitas situações fazem as vezes de cauda, porém é mais bacana ver a coleção crescendo e peças ganhando recorte de lingerie e armação de corset ( que são lindas, todas vazadas e deram um super efeito ). Basicamente em preto e branco a coleção se vale dos babadinhos, plissados e franjas em plaquinhas de plástico que melhor acontecem soltas e farfalhantes.

Quem fechou o primeiro dia de desfiles foi Victor Dzenk com convidados-estrelas na primeira fila, o estilista apresentou seu inverno baseado na mitologia grega. A referência a Dionísio fica óbvia no vestido em tricô com padrão de uvas e nas folhas de parreira que enfeitaram decotes e alças de vestido de um ombro só. O drapeado é fundamental na coleção em micros e longos porém faz sua melhor performance nas mangas estruturadas dos vestidos em jérsei no final da apresentação. Mais sóbrio em matéria de estampas, Victor acerta no floral do início e nos tons mais fechados.

Por André Chaves

Fotos: Agência Fotosite

Caminhos do verão 2010

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Depois de visto e revisto o verão 2010 não mostrou-se tão inspirador. Marcas apostam em looks que se parecem e poucas são as novidades. O bacana dessa última semana de moda ficou, no Rio de Janeiro, com o frisson da mudança, de organizado e local, do Fashion Rio. Do meu ponto de vista valeu a pena a ocupação dos armazéns da Zona Portuária que abrigou stands, salas de desfiles, palco de show e até exposição ( do francês Pierre Verger em fotos sobre o Rio de Janeiro, seus cidadãos, paisagens e festas ). Já na São Paulo Fashion Week, o produto moda se mostra mais bem trabalhado e definido com marcas de DNA mais característicos que agregam além de design, novas tecnologias.

Mas qual são os verdadeiros caminhos a seguir? Tento listar abaixo o que aconteceu de mais comum entre as marcas e que tenta definir propostas para o verão que está por vir.

80’s

Juliana Jabour, Carlos Tufvesson, Cláudia Simões e Alexandre Herchcovitch

O verão faz uma ode à década de 80, conhecida como década dos excessos que fica evidente em modelagens de ombros salientes e em especial a alfaiataria desconstruída com aspecto mais molenga e amplidão democrática. O linho está de volta só que os mais legais ganham processos encerados e perdem o aspecto de linho com brilho e maleabilidade.

CORES

Mara Mac, Glória Coelho, Neon e Fórum

Ainda da décade de 80 saem as cores, que se dividem em dois grupos: neutros que tem preto, branco e tons de nude em sua cartela e os cítricos e á aí que vale tudo: laranja, pink, verde-limão e em especial o azul e o amarelo que aparecem em bastante coleções.

JEANS DÉLAVÉ

Auslander, Ellus, Triton e Totem

A menina dos olhos de todos os mortais ganha lavagem délavé que nada mais é do que aquela lavagem clássica do início dos anos 90 onde o tecido fica clarinho, clarinho beirando o branco. As marcas apostam na modelagem mais solta tanto para meninos quanto para meninas em uma versão bem mais light da calça baggy.

ALFAIATARIA

Printing, Alexandre Herchcovitch, V.Rom e Reinaldo Lourenço

Como ela poderia ficar de fora quando tanto se fala nos anos 80? Ela vem mais gostosa, despretensiosa com volume e mais moderna. Os blazers estão com tudo nesse verão e invadem até a terra do jeans em versões alfaiataria bem bacanas.

PRAIA

Água de Coco, Lenny, Cia. Marítima e Salinas

É o triunfo dos maiôs nas areias da praia. Foram tantos e tão lindos os modelos mostrados que os biquínis bem que poderiam ficar para a próxima temporada. Mas tanto um quanto outro ganham versões mais comportadas, de modelagem quadrada que tem de tudo para ser hit. A geometria pega forte nos modelos de beachwear com recortes bem interessantes.

DRAPEADO

Alessa, Água de Coco, Lino Villaventura e Melk Z Da

Da série volumes, o melhor dos jeitos ainda é o bom e velho drapeado. Ele acontece em vestidos, blusas, calças, saias e… na moda praia. Além de hit do momento, o drapeado substitui volumes exagerados na medida certa.

TRANSPARÊNCIAS E BRILHOS

Isabela Capeto, Osklen, Maria Bonita Extra e Colcci

Outros elementos foram bem explorados nos desfiles como a transparência. O bacana é usá-la num jogo mostra-esconde e fica bem atual e nada vulgar quando peças são usadas em sobreposição. Além disso os tricôs acontecem bem fininhos e com estética sexy. O brilho também tem vez nesse verão em forma de bordados, vale a pena apostar num detalhe brilhoso.

André Chaves

Fashion Rio Verão 2010 - Dia 05

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Juliana jabour, Filhas de Gaia e Totem

O último dia de Fashion Rio pode ser considerado um dos melhores e quem abriu foi Juliana Jabour co uma releitura bem bacana dos anos 80. Daí saem volumes, cores fortes, alfaiataria desconstruída e masculino, que na visão de Juliana ganha ares romântico. As formas são solta e se mixam entre rigidez com peças mais estruturadas e fluidez que acontecem nos macacões mais molengas. Para a noite, Juliana propõe vestidos estilo cocktail cheios de firulas onde os melhores acontecem em tecidos lisos.

A apresentação das meninas da Filhas de Gaia foi emocionante e não só por vê-las segurando um choro emocionado no final do desfile mas pelo amadurecimento da marca que agora ganha desfile solo no fashion Rio. Os vestidos de festa continuam com modelagem bem elaborada em coleção que repensa o tempo. Os volumes chapados ficam bacanas apenas para efeito de passarela sendo as peças mais justas as melhores para as ruas. Ficou bacana também o styling que mixa casaquetos com bermudas de ciclista para um look mais casual. Foram boas as construções em nervuras dos vestidos que ganham recortes soltos. A Totem tem como inspiração o sol da meia noite, período na Escandinávia onde os dias ensolarados duram até 2 meses e meio. Com as meninas da Amapô no estilo a marca faz, na verdadem um desdobramento do seu desfile no Claro Rio Summer onde a tropicália era tema e encontra alguns elementos nessa coleção. As peças construídas a partir de rebites tem cara de deja vu. Fico com as peças nervuradas em linhas orgânicas que lembram o desenho das folhas e que aparecem até no jeans que vem com lavagem bem clarinha.

Espaço Fashion, Auslander e Redley

Seguindo o dia, a Espaço fashion se supera em coleção que trabalha os tempos primitivos mas que abusa dos processos tecnológicos para o bem. São ótimas as peças que são construídas a partir de pedaços de tecidos que se enlaçam. Boa também a estampa com um quê de Basquiat assim como as misturas com volumes na parte de baixo e justo em cima. O tricô vem forte como trabalho artesanal e vira vestido de ponto grosso e cara bem rústica. Outra aposta da marca são os recortes inesperados que surgem em vestidos, blusas e calças.

A Auslander leva fashionistas para uma pool party cheia e cores e boas idéias. É bacana a imagem do masculino que vem com short, camisa xadrez e alfaiataria gostosa. O feminino tem comprimentos curtos, alfaiataria desconstruída e volumes democráticos. A série de vestidos estilo bandage são menos desejáveis entre as boas opções da marca. Saias de volume abalonado ganham cintura alta e tranparências bacanas acontecem no desfile. O beachwear não empolga com modelagem que precisa ser revista porém foi uma ótima apresentação. Terminando os trabalhos está a Redley que desfilou do lado de fora do Cais em coleção comemorativa de 25 anos da marca e releituras de seus clássicos. A Redley é a marca que prova que look surfista é muito mais do que bermuda e camiseta. São ótimas as lavagens geométricas do jeans da marca assim como os enfeites que ganharam as bermudas. Vestidos levinhos, estampa tropical, sobreposições, cores (goiaba e verde-limão), são muito bem vindos para o verão carioca e da Redley.

Por André Chaves

Fashion Rio Verão 2010 - Dia 04

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Walter Rodrigues, Sta. Ephigênia e Alessa

O quarto dia abriu com apresentação externa de Walter Rodrigues tendo como fundo a ponte Rio-Niterói. A coleção preza pela simplicidade em looks compostos por sobreposições de saias que em muito lembram kilts e calças mais folgadas. De linhas mais soltas os volumes acontecem chapados na parte de cima com efeitos drapeados. Em preto e branco, a coleção é pontuada por amarelo e das estampas o floral, que passa batido, aparece no final da apresentação. Logo depois, Luciano Canale se inspira nas obras de Yayoi Kusama para criar o verão da Sta. Ephigênia que vem cheio de bolinhas, influência direta do trabalho da artista plástica japonesa. As formas são soltas em peças simples como shorts, bermudas e camisas e ganha trabalho mais denso de modelagem nos robes e vestidos assimétricos. As bolas ganham tratamento 3D com bordado feito em cristais cor de bronze e calças ganham barras com profusão de ilhoses. A coleção é cansativa, com muitas idéias repetidas.

Alessa dá um upgrade em sua coleção que fala sobre prazeres gastronômicos e faz seu melhor nos vestidos de estilo cokctail em preto com pregas e armações rígidas. A profusão de estampas poluiu a apresentação, mas isso é característico da estilista. No final valeram as peças bordadas como casacos e vestidos. Já Lenny Niemeyer consegue cada vez mais sofisticar sua moda praia. A mulher Lenny acontece nesse verão abusando dos processos tecnológicos onde maiôs ganham amassados e ferros tubulares moldam decotes orgânicos. Vale a cartela de cores super pra cima e os modelos que ganham recores de faixas. No final, um quê bandage acontece em peças que se formam através de faixas. Deu super certo!

Lenny, Giulia Borges e Tessuti

A apresentação de Giulia Borges foi um tanto incipiente para o evento em coleção que trabalhava a liberdade e tinha no losango e na construção de pipas sua inspiração. Da cartela mortinha, os looks do inpicio em branco e com franjas se saíram melhor. Ficou estranho os volumes chapados que Giulia tentou criar com dobradura de tecidos e os aplique de babados plissados. Aliás os plissados da coleção ficam melhores como detalhes nas peças do que em peças inteiras. Fechando o dia, a Tessuti se embala no Charleston e na décade de 20 em coleção de festa. Os melhores momentos acontecem nas peças com franjas, sejam elas em seda ou canutilhos, nas peças bordadas com rolotê de critais e nos tingimentos em tie die que vão do rosa ao cinza. As formas são estruturadas e alguns looks ganham transparência + segunda pele.

Amanhã tem: Juliana Jabour, Filhas de Gaia, Totem, Espaço Fashion, Auslander e Redley.

Por André Chaves

Fashion Rio Verão 2010 - Dia 03

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Apoena, Cantão e Victor Dzenk

Hoje o dia começou com a apresentação da marca Apoena que é de Brasília e que homenageia sua cidade natal. Boa novidade foram as novas formas propostas, com volume levinho em peças de cintura alta e marcada. O bordado característico ganham novos ares quando utilizados sob padronagens como o xadrez vichy, listras e bolas. Logo depois foi a vez da Cantão em desfile que se inspira numa ilha (pirata?!?) e desfila seu verão baseado em peças mais soltas, confortáveis. O jeans ganham listras em dois tons de azul e gramatura mais fina deixando as peças mais molengas. Boa idéia foi o uso de amarrações e aplicação de macramê atestando o ar artesanal que a marca sempre trabalha. Dá série em malha as calças ganham gancho baixíssimo que chega quase ao chão. Yamê Reis ainda aposta nos macacões e macaquinhos para este verão, tentando assim dar um tempo no reinado dos vestidos.

Victor Dzenk apresentou seu verão inspirado na Riviera Francesa em peças soltas e leves. O caftã rouba a cena em construções mil assim como os vestidos que ganham estampa inspirada no mar onde a menos poluída é a que tem a melhor sacada imitando um aquário com uma camada de tule estampado por cima. A inspiração navy acontee na sequência inicial do desfile em peças listradas e em calças inspiração marinheiro. A alfaiataria ainda é incipiente com peças pouco desejáveis. Já Luiza Bonadiman apresenta beachwear certeiro com recortes mil e dinâmica em suas construções. Um quê 80’s acontece nos tops que em muito lembra a era da ginástica frenética. Em preto e branco, maiôs e biquínis dividem espaço com lycra bem fininha num jogo mostra/esconde já sinalizando o fetiche como força motriz da coleção qe se evidencia no uso de correntes, franjas e renda nas peças. No final um bondage do bem acontece em 3 versões onde minuciosamente a peça vai se construindo ao corpo. Muito bom!

Luiza Bonadiman, Carlos Tufvesson e Coven

Carlos Tufvesson completa 10 anos em desfile um tanto quanto estranho levando em conta a própria história do estilista. Com pegada disco e ao som de “I feel love”, a coleção que abusa das cores é formada basicamente por vestidos curtos em cetim brilhoso. O resultado foi um excesso desnecessário de elementos pouso usuais para a marca, muito brilho, muita cor, pouco comprimento… Difícil ver DNA na coleção que deixou um gosto duvidoso na cabeça de muitas pessoas. A Coven encerra o terceiro dia celebrando os anos 20 e a liberdade da mulher. Liberdade é a palavra certa para as peças soltas da marca que tem o tricô no seu DNA. Dessa vez o melhor momento dele acontece com fios metalizados. Aliás, metalizados tinha de sobra na Coven que introduziu a seda como matéria prima as well. Listras grossas em prata, ouro ou bronze se sobrepunham ao fundo nude das peças. O trabalho de volume pelo tricô desfiado acontece no final onde bordados de pérola convivem com fios de lã.

Amanhã tem: Walter Rodrigues, Sta. Ephigênia por Luciano Canale, Alessa, Lenny, Giulia Borges e Tessuti.

Por André Chaves